RODA DE CONVERSA provoca reflexões sobre a realidade do trabalho das jornalistas no AM
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas – Sinjor/AM realizou no dia 15 de março de 2025 (Sábado), “RODA DE CONVERSA: LUTE COMO UMA JORNALISTA”, no Auditório Jornalista Arlindo Porto, na sede da entidade, localizada na Praça Santos Dumont, 15 – Centro, Manaus – AM.
O evento contou com a presença das palestrantes: Ivânia Vieira, jornalista, professora associada na Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (FIC-UFAM), doutora em Processos Socioculturais na Amazônia e pós-doutora em Ciências Sociais. É co-fundadora do Movimento de Mulheres Solidárias do Amazonas (MUSAS) e da Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FAMDDI); Karolina Aguiar, assistente social da Procuradoria Especial da Mulher na ALE/AM, especialista em Políticas de Enfrentamento à Violência, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, especialista em Políticas de Enfrentamento à Violência Doméstica, mestranda em Serviço Social e Sustentabilidade. Atua na área dos Direitos da Mulher desde 2009; e Goreth Campos Rubim, advogada criminalista, mestre em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos pela Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Especialista em Direito Penal e Processo Penal pelo Centro Universitário do Norte – UNINORTE. É palestrante e escritora de artigos científicos e capítulos de livros sobre temáticas relacionadas ao homicídio qualificado pelo feminicídio, violência obstétrica e maus tratos aos animais.

O presidente do Sinjor/AM, Wilson Reis, declara que a roda de conversa foi marcada pela participação das jornalistas no Amazonas, com relatos de experiências vividas e casos no exercício da profissão.
“As intervenções provocaram necessária reflexão crítica, apontando caminhos que mulheres e homens podem adotar para enfrentar a violência, como assédio moral e o feminicídio, praticados contra as mulheres no Brasil”, frisou o presidente Wilson Reis.
Durante o evento, foi transmitido um vídeo com dados sobre a violência contra as mulheres jornalistas no Brasil e no Amazonas, onde vítimas narram sobre situações que passaram, tanto no exercicio profissional, quanto na sociedade.
Violência e jornalismo
A jornalista e professora Ivânia Vieira destaca que as mulheres jornalistas em todo mundo têm sido agredidas, abordando o conluio de violências que existe no Amazonas, nos espaços de coberturas políticas e empresariais, um espaço hostil às mulheres quando ousam perguntar e questionar.
“A mulher tem que todos os dias enfrentar esta batalha, uma violência entranhada nas instituições, nos Poderes, nas redações e ambientes de trabalho. É bom o Sindicato chamar esta Roda de Conversa, para pensar e refletir, em como é que se dá a luta das mulheres jornalistas”, destacou Vieira..
A assistente social da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE/AM), Karolina Aguiar, aponta os avanços no campo da proteção e acolhimento em casos de violências de gênero.
A advogada criminalista, Goreth Campos Rubim, entre os pontos que abordou, citou sobre as Leis que podem amparar as mulheres em caso de violência, tanto domésticas, no trabalho, nas tentativas de feminicídios e nos feminicídios.
“Existe, agora, o pacote anti feminicídio, que é a Lei 14.994/2024, sancionada em 10 de outubro de 2024, onde alterou a legislação, visando combater a violência contra a mulher. Esta Lei aumenta a pena do crime”, relatou a advogada.
Valorização
Para a jornalista Teresinha Soares, cada jornalista mulher tem que possuir ciência sobre as próprias qualificações, do seu poder e da importância para a sociedade. “É sobre você descobrir os caminhos e ocupar os lugares que são seus por natureza”, acrescentou Teresinha Soares.
Dados
De acordo com a pesquisa do Perfil do Jornalista no Brasil, realizada em 2023, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na região Norte do País, o Amazonas é o estado que concentra a maior parte dos jornalistas. Dos sete estados da região Norte, o Amazonas tem 22,1%; Pará 19.4%; Tocantins 17.1%; Rondônia 15.8%; Acre 11.3%; Roraima 8.1% e Amapá 6.3%. Neste cenário, as mulheres são maioria entre os jornalistas, com idade entre 31 e 40 anos e majoritariamente negras (pardas e pretas). A pesquisa aponta que 47,6% dos jornalistas nortistas confirmaram que sofreram algum tipo de assédio moral no trabalho.
CARTA ABERTA À SOCIEDADE
A “RODA DE CONVERSA: LUTE COMO UMA JORNALISTA” encerrou com a aprovação da Carta Aberta à Sociedade, exigindo o direito à vida, à dignidade e o respeito expresso na luta histórica pela igualdade de gênero e garantias dos direitos sociais.


Fotos: Francisco Cabral

