Descredibilização da imprensa cresceu no governo Bolsonaro, aponta relatório da FENAJ
O relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) de 2024, aponta que a descredibilização da imprensa cresceu em termos relativos, de 7 casos em 2023 (3,87%) para 9 em 2024 (6,25%), o que demonstra uma crescente hostilidade simbólica e política ao trabalho da mídia, ainda reflexo da institucionalização dessa prática pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O relatório da FENAJ revela um preocupante aumento na descredibilização da imprensa no Brasil. Em termos relativos, os casos subiram de 3,87% (7 ocorrências) em 2023 para 6,25% (9 ocorrências) em 2024. Esse crescimento indica uma escalada da hostilidade simbólica e política direcionada ao trabalho da mídia.
A FENAJ atribui essa tendência à institucionalização dessa prática durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cujas ações teriam normalizado a deslegitimação do jornalismo.
A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, explica que mudanças em dois tipos de agressão foram decisivas para o resultado. E envolveram o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
“Números caíram principalmente em função da queda da categoria ‘descredibilização da imprensa’, uma estratégia adotada por Bolsonaro durante o seu governo, que acabou em 2022. Só para comparar, foi uma queda porcentual de 91,95% dessa categoria de um ano para o outro. E também houve uma queda da censura de 91,53%, sobretudo em função da mudança de comando na Empresa Brasil de Comunicação, que era um foco de censura contra o trabalho dos jornalistas, promovida por gestores públicos e que representaram um caso gravíssimo contra a liberdade de imprensa no país”, disse Samira.
O relatório revela que entre 2019 e 2022, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi responsável por 570 ataques contra veículos de comunicação e jornalistas. Isso representa uma média de 142,5 agressões por ano, ou seja, um ataque a cada dois dias e meio.
Para a FENAJ, esses números indicam uma “violência verdadeiramente institucionalizada” durante o governo Bolsonaro. No entanto, é importante notar que, mesmo após o término de seu mandato, o ano de 2023 registrou 181 casos, um número superior aos 135 ataques contabilizados em 2018, antes do início de sua gestão. Este dado sugere que o problema das agressões à imprensa transcende o período específico de seu governo.
Em 2023, houve uma mudança notável nos tipos de agressões sofridas pela imprensa brasileira. A descredibilização da imprensa e a censura deixaram de estar entre as cinco principais categorias. A lista é agora encabeçada por ameaças, hostilização e intimidações, com 42 casos. Em seguida, vêm as agressões físicas (40 casos), agressões verbais e ataques virtuais (27 casos), cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais (25 casos) e impedimentos ao exercício profissional (13 casos).
Apesar de uma queda geral no número de incidentes, a Federação Nacional dos Jornalistas alerta que a violência contra jornalistas ainda é preocupantemente alta no Brasil.
A Fenaj destaca o crescimento alarmante de 92,31% nas ações judiciais que visam cercear a liberdade de imprensa. Outro ponto de grande preocupação é o aumento expressivo de 266,67% nos ataques contra sindicatos e sindicalistas de um ano para o outro.
Por Alessandra Aline Martins – Com informações do Relatório 2024 FENAJ
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

