Curandage em Parintins

Escritora resgata histórias de resistência de curadores populares

Obra será lançada na tarde de terça-feira, dia 21, na Feira do Produtor, ladi vermelho da Praça dos Bois, na Avenida Paraíba, próximo ao Bumdódromo.

Está confirmado para terça-feira, 21, as 15 horas, o lançamento do livro “Vestígios de Curandage”, da escritora parintinense, educadora popular Fátima Guedes. A obra será apresentada aos leitores no espaço da Feira do Produtor, no lado vermelho da Praça dos Bois, na Avenida Paraíba, próximo ao Bumbódromo. Na manhã de quarta-feira, dia 22, Fátima Guedes apresenta “Vestígios e Curandage”, em manhã de autógrafos na Estação da Cultura, que a Secretaria de Estado da Cultura realiza no Estádio Tupy Cantanhede, próximo à Praça da Liberdade, centro de Parintins, a 369 km de Manaus.
Ainda como parte da programação de Lançamento da obra, a escritora estará nos dias 25 deste mês em Manaus, no projeto Jaraqui, na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia) e 26 na Feira de Artesanato e Gastronomia da Avenida Eduardo Ribeiro, banca da livraria O Alienista.
A organização da obra começou há cerca de um ano, quando Guedes foi motivada a organizar uma série de entrevistas capturadas a partir de 2008 em entrevistas com curadores populares adeptos das práticas popular/tradicionais de saúde. Após definir o conteúdo, ela se lanço em busca de apoios para a publicação em forma de livro. “Vestígios de Curandage” é a quarta obra da escritora, definida com edição independente.
Ancestralidade

Segundo a autora, a Obra é uma forma de resgate da ancestralidade, a partir das práticas popular/tradicionais de saúde. “A história da medicina é milenar e nasce da experiência e observação das populações tradicionais em seus diálogos perenes com a biodiversidade. A caraterística dessas populações centrava-se no cuidar da vida a partir de jeitos naturais variados, posteriormente incorporados, aperfeiçoados e/ou modificados pelo tecnicismo mercadológico”, comenta Fátima Guedes.
Nosso tempo é breve e urge por interlocuções solidárias, destaca Guedes, afirmando que são acordes, talvez acenos tardios, porém plenos de esperançamentos; despertares de interatividades sobre Vestígios de Curandage – gotas de sobrevivências ao memoricídio cultural, no Município de Parintins, um pedaço de Amazônia conhecido no Brasil e em outros países através de seu festival folclórico, realizado no mês de junho.
“Independentemente do anonimato sistêmico a tão necessária base cultural, teimoseamos reafirmar indeléveis vestígios, sempre ativos quando as práticas de cuidados naturais de saúde exigem a sábia intervenção de nossos curadores populares. Hoje, no real-concreto da Amazônia, aqui, ali; um/a e outro/a timidamente mantêm os diálogos com a sabedoria dos cuidados advinda de nossas ancestralidades”, lembra.
Para ela, “a coletânea dos Vestígios, registrados a partir de 2008, exigiu perseverança, amorosidade e crença em possíveis acolhimentos de leitores sensíveis à causa, considerando-se que a historicidade da maioria de nossos curadores mantém-se anônima: sobrevive em tímidas e acanhadas lembranças; vagueiam nas memórias de familiares, de amigos, sem que muitos deles tenham a real percepção da importância do valoroso acervo na construção de modos de vida humanamente justos e solidários”.
Por sintonizar e cultivar em suas vivências a sabedoria dos povos tradicionais (matriz da ciência acadêmica em vigor) sobre a importância de uma saúde coletivizada, Fátima Guedes desbrava silêncios colonizantes, academicistas e, ao mesmo tempo, desafia-se partejar vestígios de nossa curandage caboca – essência cultural dos nativos amazônidas. Sabedoria e conhecimento divergem em natureza semântica, porém são estradas de mão dupla. A eficácia terapêutica da sabedoria popular/tradicional desafia tempo, espaço e cientificismo. Resgatá-la é a ordem. Preservá-la é obrigação dos construtores do Bem Viver.

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