Apesar da pressão patronal, jornalistas de A Crítica mantém paralisação

Os jornalistas da Empresa de Jornais A Crítica entram nesta quarta-feira (9/9) no terceiro dia de paralisação, por conta do atraso no pagamento de salários, não recolhimento da contribuição do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Na terça-feira (8/9), tiveram início as negociações, com a mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT), para bloqueio e liberação de crédito da empresa, relativo a publicidade, junto a prefeitura de Manaus, para pagamento das dívidas que a empresa tem com os profissionais jornalistas e gráficos.

A paralisação das atividades continua, uma vez que os trabalhadores reivindicam a regularização do pagamento para todos pelos serviços já prestados, bem como o recolhimento de encargos sociais.  Alguns jornalistas receberam pela última vez no início de junho.

Constrangimento

Ainda durante o segundo dia de paralisação das atividades, a empresa comunicou aos jornalistas paralisados o fim do trabalho home office, convocando todos ao trabalho presencial na redação, com suspensão do acesso remoto dos profissionais, sob pena de atribuição de falta e respectivo desconto dos dias parados, numa ação que fere o artigo 6º, parágrafo 2º da Lei de Greve (nº 7.783, de 28 de junho de 1989), “é vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento”.

Numa demonstração de boa vontade, mesmo não estando obrigados, os jornalistas decidiram manter o contingente de 30% estabelecido na lei de greve para as categorias de atividades consideradas essenciais.

Além disso, o movimento reclama a adoção de um protocolo de segurança sanitário em relação à covid-19 na empresa, uma vez que não há Equipamento de Proteção Individual (EPIs), como máscara e cumprimento do uso da mesma por parte da direção e de funcionários de outros setores.

Confissão de dívida

Durante reunião com o Ministério Público do Trabalho (MPT) na tarde desta terça-feira (08.09), a empresa, representada pelo advogado Enysson Barroso, admitiu a existência da dívida trabalhista – falta de recolhimento de FGTS, falta de pagamento de férias e salário em atraso – porém, reiterou que vai lutar para provar que a greve dos jornalistas é ilegal. 

Na tentativa de buscar soluções para a quitação dos direitos trabalhistas dos profissionais de A Crítica, o SJPAM juntamente com o Sindicato dos Gráficos, protocolou pedido de bloqueio do pagamento de verbas publicitárias por parte da Prefeitura de Manaus e do Governo do Estado para quitação do salário dos trabalhadores. A Crítica concordou com o fato e ficou de apresentar a prova dos valores a receber em audiência a ser realizada com representante do município nesta quarta-feira (9/9). O município, por sua vez, deverá apresentar possibilidade e formas de pagamento dos valores.

Confira cronograma da greve 

Quarta-feira (02.09) – Funcionários comunicam informalmente a direção da empresa a decisão da maioria dos funcionários de paralisação das atividades

Quinta-feira (03.09) – Por conta das restrições impostas pela pandemia de covid-9, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJPAM) instaura estado de assembléia permanente por meio de grupo de WhatsApp, com reuniões diárias e onde todas as decisões são tomadas pelo coletivo.

Sexta-feira (04.09) – Diante das discussões e da decisão pela paralisação das atividades por tempo indeterminado, tomada pela maioria, o SJPAM encaminha comunicado de greve à direção da empresa. 

No mesmo dia, a direção propôs a suspensão da greve até a quinta-feira, 10.09, quando seriam apresentados os dados de despesa e receita da empresa para ciência dos empregados e construção de um calendário de pagamentos.  Funcionários rejeitam proposta, por maioria, uma vez que é o mesmo argumento que vem sendo utilizado há anos pela empresa que descumpre constantemente os prazos estabelecidos por ela mesma.

Segunda-feira (07.09) – Greve inicia mantendo o quantitativo de 30% da mão de obra plantonista do feriado trabalhando, conforme prevê a legislação.

Terça-feira (08.09) – Empresa confessa dívidas e realiza constrangimento de empregados paralisados.

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